terça-feira, 27 de junho de 2017

Tat'etu Kambaranguanje

Tat'etu Kambaranguanje



aglutinação de Kamba ria nganga ajê - Um Santo amigo firme (como as pedreiras), “O Senhor da Justiça Divina”, portanto o destino (ou Karma), é a manifestação da Justiça de Deus, julga e confere nossos atos durante cada encarnação.

Implacável, como a justiça deve ser, não aceita e não acata erros. Por isso é o “Senhor das Cabeças”. Sua manifestação no mundo físico é nas pedreiras e rochas, pois a Justiça é dura e firme como as pedras o são. Sua arma o “Luazí” (machado) é representado com duas lâminas idênticas informando que corta para todos os lados igualmente.

Em nossa Casa o cultuamos na forma de “Tat'etu Loango”, o Senhor do Fogo e o festejamos durante o plenilúnio de inverno nos “Fogos de Loango”.

Seu dia é quarta-feira, suas cores a vermelha e a branca juntas, no sincretismo foi representado por São Jerônimo e é festejado em 30 de setembro. Sua oferenda preferida é o omalá que deve ser feita em noite de lua cheia, acompanhada de cerveja preta e iluminada por, pelo menos, 12 velas.




Texto Adaptado 
Kota Leuá Cidelecy

sexta-feira, 16 de junho de 2017





Porque Toda Sexta é Santa
Kiuá Tata Lembá
Salve Lemba o senhor da Paz e Branco







Lembá Dilê




Lemba, o mais importante e elevado dos Minkisi, foi o primeiro a ser criado por Nzambi, o deus supremo. Representa o céu, o princípio de tudo, e foi encarregado de tomar conta do mundo.

Equilíbrio positivo do universo, é o pai da brancura, da paz, da união, da fraternidade entre os povos da terra e do cosmo. É considerado o fim pacífico de todos os seres.
Nkisi da ventura, da compreensão, do entendimento, do fim da confusão.

Lemba é o Nkisi que vai determinar o fim da vida, o fim da estrada do ser humano, o fim com a certeza do dever cumprido. A morte deve ser encarada com naturalidade como encaramos os demais assuntos da nossa vida, pois ela faz parte da natureza e sabemos que tudo tem um início, um meio e um fim.

Pambu Njila inicia, Lemba termina. É assim na Jamberessú (roda de Candomblé), quando louvamos todos os Minkisi.

É ele que sempre atuará como mediador para acalmar discórdias em qualquer plano e produzindo uma solução, uma definição.

Lemba não come como os demais Minkisi, suas oferendas são sempre coisas brancas. É o senhor do princípio da morte e conhece todos os seus segredos.

Existe vários caminhos de Lemba, como Nkassuté, Lemba Dilê, Lemba Nganga, Kukurukaia, sendo que em um desses caminhos é representado na forma de um velho, que precisa segurar em seu cajado para manter-se em pé, representa o pai de todos, aquele que tudo sabe e tudo vê, um Nkisi mais superior, um conselheiro, denominado este como Lemba-Kukurukaia, e em sua forma mais nova, jovem, que apresenta-se como um guerreiro, carrega em sua mãos uma mãe de pilão, uma espada e um escudo, seu símbolo é o barco, rege também as águas, pois é nela sua maior estrada, e a fonte mais pura de todos os seres, este segundo denominado de Lemba Dilê, que é o Navegante Guerreiro.

segunda-feira, 29 de maio de 2017


Dias da Semanas








Hambas da Terra

Divindades

Kaviungo

Também chamado de Kavungo, Nkissi de origem congolesa, registrado por Nei Lopes, e no dicionário de português-kimbundo encontramos a forma Kaluvungu que é um substantivo feminino e que significa magia. É cultuado no Tombeici de Itapecerica.

Nsumbo 

De origem kikongo registrado por Nei Lopes sem maiores informações. É cultuado na casa pesquisada.

Kingongo 

Não encontramos nenhuma referência bibliográfica sobre esse Nkissi. Apenas o vemos presente nas casa pesquisada.


Kubango 


Segundo Nei Lopes, esse nkissi tem origem no universo lingüístico kimbundo e significa briga e luta. Não encontramos até o momento nenhuma outra referência
.


Mpanzu 

De origem no universo linguístico Kikongo, segundo Nei Lopes e significa aquele que provoca úlceras. Cultuado na casa pesquisada. Edison Carneiro fala dele como de um espírito inferior, habitante das árvores, no Bate-folhas de Manuel Bernardino, juntamente com Zacaí.

Kisambu 

É apenas outra grafia de Nsambu ou Nsumbo valendo as mesmas características do primeiro.

Porque não pode assoviar?!

Pambu Unjila


Unjila é o Dono do Assovio e assoviar é provocá-lo. Seus assovios são intempestivos e penetrantes de tal maneira que assustam os velhos, que estes não se atrevem jamais a assoviar, com medo que Unjila responda. É ele quem assovia nas paragens desertas e nas casas abandonadas, como se sabe, a noite é o domínio de “entidades” de todos os tipos, mas durante o dia há horas perigosas que convém levar em conta: o meio-dia e às seis da tarde, quando vagam algumas “entidades” durante alguns momentos e nestes horários Unjila abandona as portas e as casa ficam sem defesa, se assoviarem durante este período, qualquer um destes poderá entrará na casa... Esta é a razão pela qual se verte água na porta da rua e ninguém deve entrar ou sair de uma casa nestes horários. A meia-noite a pior de todas as horas, já transitam Vumbi(mortos), Unjila e Mulolo(feiticeiras) com toda liberdade, então em hipótese alguma assovie, sobre tudo em altas horas da noite... Unjila está difundido por todas as partes “em uma rede numerosa”, todos se comunicam entre si, se enganam mutuamente – “o Unjila da porta, quando recebe a oferenda de um animal destinado somente ele, dá um jeito de afastar o Unjila da esquina” - ou se solidarizam uns com os outros por vingança. O que guarda a porta confabula com o da esquina, o da esquina com o dos quatro caminhos, o dos quatro caminhos com o da floresta e assim sucessivamente... Desta forma é necessário que o da porta esteja satisfeito, “que seja ofertado antes de todos” conforme dispôs Mulundilu(adivinho), segundo certas versões de Zimbo(buzios) e de acordo com outras, para que não atrapalhe a trajetória normal da vida e para que este Unjila não assovie para o Unjila da esquina, o encrenqueiro e revoltado, o qual, por sua vez, não assoviará para o Unjila dos quatro caminhos e este, para o Unjila da Floresta e assim por diante... Se o da porta assoviar e se eles acudirem a seu chamado, todos se introduzirão numa casa e nela ocorrerá alguma tragédia lamentável. “Para aquele que assovia, todos os Unjila entendem que lhe estão chamando para adentrar a casa e a pessoa padece as conseqüências... É essencial contentar Unjila e não provocá-lo com assovios ou com qualquer outro tabu... Emboscados em cada caminho, dispões de nossa vida em todos os momentos, pode jogar com ela como bem entender. Dono das chaves que “abrem e fecham os caminhos e portas”, do Além e da Terra, aos Deuses e Mortais... e as abre e fecha à sorte e à desgraça, segundo seus caprichos... embora pequeno, temos de considerar Unjila , sem discussão, o mais temível dos Mikisis... Então para minha felicidade... eis que surge uma nova pergunta: Tata! Então porque Katende assovia? Este direito lhe é concedido porque Katende pertence à família de Unjila. Embora parente não seja e de forma alguma um “caminho de Unjila” e sim uma Divindade totalmente distinta, assim como Ale “o inventor da aguardente” também pertence a esta família, mas não é Unjila. Se por um descuido você assoviar na mata se apresentarão Katende e Unjila e a eles você deverá prestar conta do chamado... deixe esta prática de assoviar na floresta para os caçadores e admiradores de pássaros silvestres.

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O candomblé Bantu

Segunda Parte


O Ritual


 Massangá: ritual de batismo de água doce (menha) na cabeça (mutue) do iniciado (ndumbi), usando-se, ainda, o kesu (obi).
  Nkudiá Mutuè (bori)- ritual de colocação de forças (Kalla ou Ngunzu (Angola) = Asé (Axé) = Muki (Congo)), através do sangue (menga) de pequenos animais. Nguecè Benguè Kamutué: ritual de raspagem, vulgarmente chamado de feitura de santo.
 Nguecè Kamuxi Muvu: ritual de obrigação de 1 ano.
 Nguecè Katàtu Muvu: ritual de obrigação de 3 anos (Nguece = obrigação): nessa obrigação, faz-se o ritual de mudança de grau de santo.
 Nguecè Katuno Muvu: ritual de obrigação de 5 anos, com preparação quase idêntica à de um ano, só que acompanhada de muitas frutas 
 Nguecè Kassambá Muvu: ritual de obrigação de 7 anos, quando o iniciado receberá seu cargo, passado na vista do público, sendo elevado ao grau de Tata Nkisi (zelador) ou Mametu Nkisi (zeladora).
As obrigações são de praxe para os rodantes, porque Kota (equede) e Kambondo (ogã) já recebem seus cargos na feitura, portanto já nascem com suas ferramentas de trabalho: dão suas obrigações para aprimorar seus conhecimentos.
No candomblé de angola, quem passa cargo são os enredos de Dandalunda. Isto é, não é preciso ser filho de Dandalunda, mas é ela quem autoriza aquela pessoa a receber o cargo.
Após 7 anos de obrigações, se renovarão a cada ano com rito de kesu (obi) ou bori, conforme o caso, repetindo-se as obrigações maiores de 7 em 7 anos para renovar e conservar o indivíduo forte, transformando-o em Kukala Ni Nguzu ("um ser forte").
Kunha Kele: sacramento realizado 3 meses e 21 dias após a feitura (tirada de kele), quando o santo soltará a Kuzuela = Ilá.
Ordem de barco (sequência das pessoas recolhidas juntas para iniciação) no candomblé de angola:
  • 1º - Rianga, 2º - kaiadi, 3º - katatu, 4º - Kakuanam, 5º - katanu, 6º - Kassamanu, 7º - Kassambà.

O candomblé bantu


Primeira Parte




É uma das maiores nações do candomblé. Desenvolveu-se entre escravos que falavam Kimbundu, Umbundu e kikongo.


A palavra bantu significa "gente": é o plural de muntu, da raiz _ntu, que significa "pessoa". O termo "banto" foi utilizada pelos europeus colonizadores para identificar os povos da África Austral que falavam línguas bantas.


Principais Minkisi/Akixi


O deus supremo e criador é Nzambi ou Nzambi Mpungu; abaixo dele, estão os Jinkisi/Minkisi, divindades da mitologia banta. Essas divindades se assemelham a Olorum e aos demais orixás da mitologia iorubá. Minkisi é um termo quicongo: é o plural de Nkisi, "receptáculo". Akixi provém do quimbundo Mukixi.


Aluvaiá, Bombo Njila, Pambu Njila, Nzila, Mujilo, Mavambo, Vangira, Njila, Maviletango: intermediário entre os seres humanos e os outros inquices e protetor das casas.


Nkosi, Hoji Mukumbi, Panzu, Xauê: - inquice da guerra e senhor das estradas de terra, agricultura e do ferro.
Ngunzu, Teleku-mpensu: engloba as energias dos caçadores de animais, pastores, criadores de gado e daqueles que vivem embrenhados nas profundezas das matas, dominando as partes onde o sol não penetra.


Kabila : o caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.


Mutalambô, Mutakalambo: caçador, vive em florestas e montanhas. É o inquice da comida abundante.


Gongobira, Mukongo Mbila ou Gongobila: caçador jovem e pescador.


Katendê, Mwani Panzu: senhor das jinsaba (folhas). Conhece os segredos das ervas medicinais.


Nzazi, Loango, Kambaranguange: é o próprio raio. Dá a justiça aos seres humanos.


Kaviungo, Kavungu, Kafunjê, Kingongo: inquice da varíola, das doenças de pele, da saúde e da morte e senhor dos mistérios.


Nsumbu, Sumbo: senhor da terra, também chamado de Ntoto pelo povo de Congo e Moçambique.


Hongolo ou Kongolo: auxilia na comunicação entre os seres humanos e as divindades. Também é o senhor do som.


Kindembu, Kitembu dya banganga, Kintempu ou Nkisi Tempo: rei de Angola. Senhor do tempo e das estações. É representado, nas casas Angola e Congo, por um mastro com uma bandeira branca chamada de "Bandeira de Tempo".


Kaiango ou Kayango: tem o domínio sobre o fogo e auxilia Nkukwalunga no oráculo de ngombo.
Matamba, Uambulusema - guerreira, comanda os mortos (Nvumbi).


Kisimbi, Kiximbi: a grande mãe; inquice de lagos e rios.


Ndanda Lunda, Dandalunga: senhora da fertilidade e da Lua, muito confundida com Hongolo e Kisimbi.


Kaitumba, Mikaia, Kaiala, Kokweto, Samba Kalunga: inquice do oceano (Kalunga Grande).


Nzumbarandá, Zumbá: a mais velha das inquices. É conectada com a morte.


Wunji, Nwunji: a mais jovem dos Minkisi, senhora da justiça. Representa a felicidade de juventude. Toma conta dos filhos recolhidos.


Lembá Dilê, Lembarenganga, Jakatamba, Nkasuté Lembá, Gangaiobanda, Malembá, Fulama: conectado à energia que rege a fertilidade.


Nvumbi: antepassados, ancestrais de família


quarta-feira, 3 de maio de 2017

Nkisi


Nkisi (cujo plural é Mikisi ) é a palavra em kimbundu que significa “ Energia Divina ” e que define o que chamamos de “ Santo ”. 


Os ancestrais de nossa Casa nos transmitiram, dentro de nossa filosofia na cosmogenese, que Angomi , ao manifestar-se tornando-se Nzambi Ampungu ( Deus Universal ), gerou duas polaridades energéticas que, ao se encontraram transformaram-se em treze Energias e essas Energias criaram o Universo e tudo que nele existe. Portanto temos aí o primeiro princípio de nossa filosofia: “ Tudo o que existe é formado de uma mesma Energia: A Energia Divina ”.


Cada Nkisi se manifesta no Plano Físico como um elemento da natureza, um som, uma (ou mais) cor, um (ou mais) mineral, uma formação natural definida, etc

Kuzamba Nkisi imóxi! Nzazi!
Única Energia da Justiça! Nzazi!



•  Tatetu Kambaranguanje

aglutinação de Kamba ria nganga ajê - Um Santo amigo firme (como as pedreiras), “O Senhor da Justiça Divina”, portanto o destino (ou Karma), é a manifestação da Justiça de Deus, julga e confere nossos atos durante cada encarnação.
    
Implacável, como a justiça deve ser, não aceita e não acata erros. Por isso é o “Senhor das Cabeças”. Sua manifestação no mundo físico é nas pedreiras e rochas, pois a Justiça é dura e firme como as pedras o são. Sua arma o “Luazí” (machado) é representado com duas lâminas idênticas informando que corta para todos os lados igualmente.

Em nossa Casa o cultuamos na forma de “Tatetu Loango”, o Senhor do Fogo e o festejamos durante o plenilúnio de inverno nos “Fogos de Loango”.


Seu dia é quarta-feira, suas cores a vermelha e a branca juntas, no sincretismo foi representado por São Jerônimo e é festejado em 30 de setembro. Sua oferenda preferida é o omalá que deve ser feita em noite de lua cheia, acompanhada de cerveja preta e iluminada por, pelo menos, 12 velas.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016


Aluvaiá





Diziam os kassanges que outrora todos nós habitávamos o mundo espiritual. 

N'mutalambo são as lendas contadas pelos kassanges, que falam da precipitação da grande energia sobre o mundo material. 

Diz a lenda que, no passado, Angomi era o próprio Nzambi. Neste tempo Angomi dormia sono profundo e se expandia cada vez mais. Ao crescer, Angomi foi vendo que, ao seu redor, estava inserido o desconhecido. Como não podia sair do seu espaço, começou a emitir forte luz e a concentrá-la num ser chamado Aluvaiá. Este prometeu a Nzambi que iria percorrer os outros espaços e trazer informações. Para isso, pediu a Nzambi o poder mágico de precipitar a energia, capaz de formar a massa-matéria. Nzambi tão logo ouviu o pedido, deu o segredo à Aluvaiá, e este saiu em busca de outros espaços. Ao penetrar no desconhecido, Aluvaiá começou a ficar vaidoso. Sentindo-se poderoso pelo segredo obtido, resolveu não mais voltar. Passou então a moldar as massas, após preciptar a energia, transformando-a em matéria. Os seres criados por ele passaram a ocupar os grandes centros da matéria aglutinada, chamados mundos. Os seres não tinham, entretanto, o segredo da perpetuação, única chave deixada a Nzambi. Aluvaiá não se incomodava com isso e criava, a cada dia e a cada hora, um novo ser. Aluvaiá lhes deu o sangue, para que a vida das criaturas fosse mais prolongada. Entretanto, Aluvaiá, após algum tempo, começou a se enfraquecer. Para se manter poderoso começou a beber sangue dos seres que ele mesmo criara. Assim procedendo, Aluvaiá, passou a ter a mesma constituição dos seres viventes. Nesse tempo os seres não conheciam outro senhor do universo - aquele que fora incriado. Indagando à Aluvaiá, um deles lhe pediu vida eterna, e este logo respondeu que o segredo esta com Nzambi. Aluvaiá sobrepôs a barreira e chegou até Nzambi. Mentindo, disse-lhe que do outro lado havia seres bonitos, planetas, flores, etc. Acrescentou, então, que se ficasse mais tempo se enfraqueceria muito. Por isso, precisava conhecer o segredo da perpetuação. Nzambi percebendo as suas emanações, falou: "Aluvaiá, você me enganou, usando seus poderes e bebendo da sua própria essência. Por isso, mandarei você de volta e, como castigo, terá que se manter com a própria essência da vida que você conhece - o sangue". Nzambi tomou a decisão de criar novos seres espirituais para controlar seu infinito espaço: eram os Nkisi. De tempos em tempos, Nzambi pedia a um dos Nkisi para descer ao espaço de Aluvaiá fazia um bom trabalho. Nzambi então pediu que Aluvaiá viesse à sua presença e falasse das suas obras. Aluvaiá pediu ajuda àqueles que eram os mensageiros de Nzambi. Para isso, Aluvaiá usando da resposta positiva desceu com eles aos mundos habitados. Os Nkisi, vendo a grande obra, passaram a ter os domínios dos mares, matas, ares, fogo, etc. Aluvaiá vendo o seu império comprometido, zangou-se com os Minkisii. Estes alegaram que tais segredos de formação da natureza valorizaram os seus trabalho. Os Nkisi, de posse dos domínios de Aluvaiá, passaram a capacitar os seres de realizar diversas proezas. Aluvaiá, com isso, foi perdendo seu poder e resolveu voltar a Nzambi, alegando que os mensageiros expulsaram-no do seu espaço. Nzambi deu então à Aluvaiá a missão Intermediária de ficar entre os dois espaços. Com o passar dos tempos, os seres, sentindo necessidade de Aluvaiá, faziam-lhe sacrifícios para chamá-lo, já que estes ficaram dependentes do sangue por ele criado. Como castigo, Aluvaiá passou a ter a responsabilidade de manter a vida material através do sangue. Esta lenda mostra porque não conhecemos diretamente Nzambi. Fomos formados por Aluvaiá. De Nzambi recebemos apenas a essência do espírito, dada por Lembaranganga. Foi ele que precipitou os seres espirituais à matéria".


/Fonte: Autor: José R. da Costa (Tata Nitamba Tarangue) /

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Um pouco de conhecimento sobre:


Nsumbo/Kaviungo (Obaluaye)


Nkisi que nos aponta um principio e um fim, capaz de captar todas as influencias negativas de casas e pessoas, ídolo da desintegração.

Na  nação angola , é a ele que chamamos para levar o muenga (iniciado) até o iungo (terra), a ele também pedimos na catulagem, e na hora de maior fundamento lá está ele , aquele que carrega os maiores segredos da nação...

É filho de ZUMBARANDÁ e LEMBARAGANGA. Irmão adotivo de MUKUMBE e ALUVAIÁ e irmão carnal de TEMPO e ANGORO.

A varíola é a punição que ele aplica aos maus feitores. Quando morre uma pessoa, KAVIUNGO senta-se em cima do corpo , reivindicando seus direitos. Está relacionado a terra, os troncos das árvores e os ramos. Transporta o AXÉ preto, vermelho e branco, seu maior segredo é com os espíritos contidos na terra, que são seus irmãos e de quem ele é o maior símbolo. Assim como ZUMBARANDÁ, ele é o patrono dos CAURIS. Ele usa em suas vestimentas um capuz de palha da costa, chamado AXÓ YIKÓ, que lhe foi dado por seu irmão GONGOBIRA , para que cobrisse as chagas e, principalmente, seus olhos, pois, contêm todo o brilho do sol e quem olhasse perderia a visão. O AXÓ YIKÓ é um material de grande significado, pois, participa de todos os rituais ligados a morte. A presença de YIKÓ é indispensável, em todas as situações que se maneja com o sobrenatural. 

O YIKÓ é a fibra da ráfia, obtida de palmas novas de YIGYOGÓRO, árvore sagrada, que produz a palha obtida dos talos do olho da palmeira, quando nova, antes delas abrirem-se e curvarem-se.

O fato de cobrir-se com YIKÓ e ornar-se com búzios e cabaças, mostra que estamos na presença de um Òrixá ligado, diretamente, com a morte, cujas faculdades destruidoras são de difícil controle.

Segundo as lendas, ele é irmão mais velho de KAMBARANGUANGE. KAMBARANGUANGE destronou um KAVIUNGO velho e assumiu seu lugar, por esta razão existe a guerra entre os dois Òrixás. Pessoas de KAVIUNGO não pegam no XÈRE nem participam da roda de KAMBARANGUANGE. No KUKUANA não entra AMALÁ e na comida de KAMBARANGUANGE não entra DEBURUS.

KAVIUNGO usa miçangas pretas e brancas ou pretas, vermelhas e brancas, dependendo da qualidade, amarelo, preto e marrom.

Sendo OMOLÚ o dono da terra, é ele quem nos dá todo o tipo de alimentos, inclusive, a ele pertencem todos os grãos.

Os KISSICARANGOMBE tem que ter respeito pelos atabaques, pois, KAVIUNGO é o dono dos couros. Este nkice é o padrinho de todos os KISSICARONGOMBE. Quando vamos dar comida aos atabaques, damos comida a KAVIUNGO.

A KAVIUNGO pertence o porco, cabrito, frangos, galos carijós, frangos rajados, d'angola, tatu e cágado. Carneiro é sua grande KIZILA. Pega, também, patos pretos e brancos.


QUALIDADES

- TATETO KULAMBA RIA WUNGANA ( Equivalente a SAPONAN no Kétu )

É o mais antigo. É proibido falar seu nome. Na África quando se fala seu nome, coloca-se mel na boca. Come com ALUVAIÁ e tem fundamento nas encruzilhadas. Tem caminhos com GONGOBIRA e é o deus da varíola e das doenças de pele. Era êle quem dizimava nas aldeias. Suas contas são brancas e pretas.

- TATETO KULAMBA RIA TAKUBENANGUANGE ( Equivalente JAGUN ou AJAGUN no Kétu )

Tem caminhos com LEMBARAGANGA. É jovem e guerreiro. Leva na mão uma lança chamada OKÓ. É vingativo, ambicioso, luta para alcançar posição alta sem ver de que maneira. Tem caminhos com MUKUMBE TANGO AVANGO, LEMBÁ, MONAKAIA ( AIRÁ ), ALUVAIÁ e MALEMBÁ. Êle é cultuado no dia 17 de dezembro, veste branco e preto e suas contas são rajadas. O seu cuscuzeiro leva uma seta só, vem dentro de uma bacia com 9 pratinhos brancos de barro. Seu verdadeiro encanto, como dos outros, é o cântaro ( moringa de uma asa só ) . Neste cântaro pôe-se jóias e dinheiro. Êle não come feijão preto. Come miúdos de boi no azeite doce, os outros comem com demdê. Êle é o único que come ÌGBÍN.

- TATETO KULAMBA RIA BELAGUANGE ( Equivalente a AZAUANI no Kétu )

É jovem, veste preto e branco como suas contas. Tem caminhos com TEMPO e ANGORO. Come tatu na praia.

- TATETO KULAMBA RIA KANJANJA.

- TATETO KULAMBA RIA APANANGO.

- TATETO KULAMBA RIA KATULE.

- TATETO KULAMBA RIA KAFUNGE.

NSUMBU ANGOSSARA

DUNDE SALE 

DUNDARÁ MALAIZO

KINGONGO

KAFUNAN KASSUENZO

KAKAWANI

KATEN KATULÈ*

KIMBONGO

KATUIZO(****)* KATURA GONGUÈ * KALELE

KATULEMBARASSIMA* SUMBUNANGUÈ KAFUNGÈ

KATUBELANGUANGE* KAWUNDEN

* Os KATU - cor clara - preto e branco - têm idade - comem com Lembá
Ligado à vida

Os que têm DUN no nome são perigosos.

Ligado à morte como Xapanã

Izo = fogo - ligado a Pambunjila e Kaiangu

Bloog: caminhoparaafrica.blogspot.com
Page face: https://www.facebook.com/AncestraisAfricano/

Fonte: http://vodunabeyemanja.blogspot.com.br/2011/05/xapanasakpatansumbo-parte-v.html

sábado, 1 de outubro de 2016

Lendas: Nkisi Nzumbarandá
 (A briga com Nkosi)


No início dos tempos, os pântanos cobriam quase toda a terra. Faziam parte do reino de Zumbarandá e ela tomava conta de tudo como boa soberana que era. Quando todos os reinos foram divididos por Olorun e entregues aos orixás, uns passaram a adentrar nos domínios dos outros e muitas discórdias passaram a ocorrer.

E foi dessa época que surgiu esta lenda. Nkosi precisava chegar ao outro lado de um grande pântano. Havia uma séria confusão ocorrendo e sua presença era solicitada com urgência. Resolveu então atravessar o lodaçal para não perder tempo. Ao começar a travessia, que seria longa e penosa ,ouviu atrás de si uma voz autoritária:

– Volte já para o seu caminho rapaz!

Era Zumbarandá, com sua majestosa figura matriarcal, que não admitia contrariedades.

– Para passar por aqui tem que pedir licença!

– Como pedir licença? Sou um guerreiro, preciso chegar ao outro lado urgente. Há um povo inteiro que precisa de mim.

– Não me interessa o que você é, e sua urgência não me diz respeito. Ou pede licença ou não passa. Aprenda a ter consciência do que é respeito ao alheio.

Nkosi riu com escárnio:

– O que uma velha pode fazer contra alguém jovem e forte como eu? Irei passar e nada me impedirá!

Zumbarandá imediatamente deu ordem para que a lama tragasse Nkosi para impedir seu avanço. O barro agitou-se e, de repente, começou a se transformar em um grande redemoinho de água e lama. Nkosi teve muita dificuldade para se livrar da força imensa que o sugava. Todos os seus músculos retesavam-se com a violência do embate. Foram longos minutos de uma luta sufocante.

Conseguiu sair. Entretanto, não conseguiu avançar e, sim, voltar para a margem. De lá gritou:

– Velha feiticeira, você é forte, não nego. Porém, também tenho poderes. Encherei esse barro que chamas de reino com metais pontiagudos e nem você conseguirá atravessá-lo sem que suas carnes sejam totalmente dilaceradas.

E assim fez. O enorme pântano transformou-se em uma floresta de facas e espadas que não permitiriam a passagem de mais ninguém. Desse dia em diante Zumbarandá aboliu de suas terras o uso de metais de qualquer espécie. Ficou furiosa por perder parte de seu domínio mas, intimamente, orgulhava-se de seu trunfo:

– Nkosi não passou!
Mikaiá



Mikaiá, Kokueto, Kaya e Kayala saõ nomes para uma mesma Divindade, a dona dos mares e das cabeças, que para os Yorubás seria Yemanjá.
Mikaia, Nkaia ou Kaia(la) – Senhora das águas. Nível mitológico das sereias. Das grandes mães mitológicas, Juntamente com Ndanda Lunda e Kisimbi se tornam a mãe d’água.
Mikaya é um dos Nkisses mais importantes porque ela reperesenta o equilíbrio psiquico.
A parte do corpo regida por Mikaya é a cabeça.
Seu elemento é a água.
Ela é a guardiã das águas do mar, onde, a parte mais profunda das águas é guardada porMikaya que é a mais velha;
Kokueto, a mais nova e guerreira é a guardiã das pedras e o quebrar das ondas.
Kayala é a guardiã das areias e das espumas das ondas.
Essa Divindade é vaidosa, é a mãe, a mulher acolhedora, que cuida dos filhos, não somente dos filhos que saíram de seu ventre, mas também seus flhos de criação.
Mikaya criou os filhos de Zumbá, ela é mãe de criação de Kavungo, Angoro…
Ela é Mameto Mutuê, a mãe de todas as cabeças.
Mikaiá é sempre reverênciada nas obrigações de Angola, pois assim como Yemanjá no Ketu, ela é a mãe de todos.
Informações:
Cores: Prata ou Azul.
Dominio: Mares e Cabeças.
Regente: A parte psiquica.
Dia da semana: Sábado.
Pedra: Cristal.
Elemento: Água.
Kizila: Pimenta.

N'Dandalunda 




Numa certa manhã, vinha de cabeça baixa e muito triste uma Kerere, lamentando-se «estou fraca, estou fraca, estou fraca!».

Resolveu saciar a sede num riacho. Lá deparou-se com uma linda mulher que se banhava e coquete 
como só ela sabia começou a pintar-se.

Kerere quando viu aquilo admirou-se: era Dandalunda, aquela que dá brilho às jóias e se banha e pinta antes mesmo de cuidar dos filhos…

Dandalunda quando percebeu a tristeza daquela ave perguntou-lhe:- Porque é essa tristeza Kerere?

Kerere respondeu-lhe:

- Entre os meus pares eu sou a mais feia!

Naquela época Kerere era toda preta…

Dandalunda então pediu para Kerer se aproximar. Ela pegou em osum e pintou o seu bico; depois com osum vermelho os brincos. Depois com waji tornou as penas azul escuro e com efum fez as pinturas brancas. E continuou a pintar Kerere. Esta ao ver a sua imagem no abebé de Dandalunda saiu correndo de tanta felicidade cantando “Kuéim, kuéim, kuéim”.

Dandalunda que ainda não tinha terminado de pintar Kerere pediu a Kakulu, divindade dos gémeos para que corresse a trás de Kerere e a trouxesse de volta pois não tinha pintado o seu peito.

Kerere lá voltou e pediu para que Dandalunda ao invés de pintar o peito lhe desse um colar.

Dandalunda fez-lhe a vontade e ofereceu-lhe um colar em forma de coroa que Kerere carrega até hoje… e entre os seus pares é a mais linda de todas…

Tempos depois Kerere voltou e tornou-se o primeiro ser que “tomou” obrigações por aquela que é capaz de modificar todos com a sua doce magia encantada.

Kerere, o primeiro ser raspado, adornado e pintado por Dandalunda… e é por este motivo que quando um Kerer é sacrificado temos que tirar este colar em forma de coroa e coloca-lo em evidência!

…. Kerere é também conhecida por Konquem, “Tô” fraco, E tu ou Galinha de Angola

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

A ORIGEM DO MUNDO 

Nzambi criou o mundo e tudo que nele existe, criou também uma mulher para ser sua esposa e para que por seu intermédio, pudesse ter descendência humana a fim de que esta povoasse a terra e dominasse todos os animais selvagens por ele criado. Ela se chamaria então Ná Kalunga, em virtude da filha que iria dar a luz se chamar kalunga. Quando Kalunga atingiu a puberdade, Nzambi decidiu sair para mostrar a Kalunga tudo que tinha criado e após 3 meses retornaria.

Na viagem logo ao anoitecer Nzambi construiu uma Kubata (Palhoça) com apenas uma cama, se recusando a dormir com o pai, Kalunga corre chorando. Nzambi para convence-la a manda voltar para não ser devorada pelas feras. Voltou então e dormiu com seu pai toda viagem. Quando retornaram Ná Kalunga viu que sua filha estava grávida, enrraivecida com o fato se enforcou em uma arvore perante Nzambi e Kalunga. Ela não compreendeu os desígnios para povoar o mundo que ele tinha criado então se transformou num espirito maligno a quem ele deu o nome de Mulungi Mujimo (ventre ruim da primeira mãe que existiu na terra). Nzambi passou a viver com Kalunga que passou a se chamar também Ndala Karitanga e com isso a segunda divindade.

Um dia Ndala Karitanga passou a sonhar com sua mãe à insultando, dizendo que iria devora-la. Nzambi a tranquilizou dizendo que aquela que foi sua mãe agora era um espirito mau que estava apenas pedindo comida. Nzambi fez um montículo de terra na porta da Kubata e pediu para Ndala Karitanga buscar um animal para o sacrifício e para que a mesma disse-se ao mesmo tempo, minha mãe acabo de vir chorar-te, agora não voltes a ter comigo outra vez, porque se volto a ver-te, vou prender-te (Mama é Nzanga kudila ni malamba kindala kana uiza kukala ni kuami akamúkua,nda o kudila o kujibisa), com o tempo Kalunga ou Ndala Karitanga deu a luz a Nkuku-a-Lunga (inteligente), passando este a ser a terceira pessoa da trindade divina.Quando cresceu Nzambi lhe deu o poder da adivinhação, Nzambi ordenou que casa-se com Kalunga (para se tornar pai de todas as tribos bantu) e concebeu 2 filhos primeiro masculino Sá Mufu segundo feminino Ná Mufu. Nzambi ordenou que Sá mufu casa-se com sua mãe e Ná mufu com seu pai informando-os que depois daquelas uniões as seguintes se fizessem só entre primos. Destas uniões nasceram do sexo Masculino-Kitembu-a-Banganga, Ndundu, Ngonga Umbanda, Kanongena, Kambuji e outros. Do sexo feminino- Mujumbu,Ndumba ia tembu, Samba Kalunga, Kasai, Lueji,Mukita e outras. Nzambi os ensinou a se multiplicar e a lutar contra doenças e feitiços que os seus descendentes viessem a possuir. Após deixarem a vida terrena cada um dentro da sua atribuição iriam supervisionar o mundo que ele havia criado. Nzambi se despediu e levando um cão que sempre o acompanhava, se dirigiu para Sanzala Kasembe Diá Nazambi (Aldeia encantada de deus ) onde recompensa os bons e castiga os maus. Naquela altura as rochas estavam moles por terem sido feitas recentemente, e até hoje no nordeste de angola se pode ver as pegadas na rocha de Nzambi e ao lado do seu cão. ( segundo a tradição existem pegadas por toda a África), comprovação feita pela seção de arqueologia e pré história do museu de Dundo- Angola ( Que são originais e não forjadas pelo homem ). Segundo as tradições a morada de Nzambi fica entre os rios (Luembe e Kasai) junto a nascente do Mbanze.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

LENDA DE OXOSSE (KABILA)




Diz uma das lendas que certo  dia Kabila chegou a sua aldeia,  quase arriando pelo peso da capanga,  das cabaças vazias e pelo cansaço de rastrear a caça rara. 

N'dandalunda, sua mulher e mãe de seu filho, olhou para ele e pensou: 

''só caçou desgraça". Pois a desgraça para Osóssi foi prevista por Ifá,  que ele alertou Osún. Porém,  quando ela contou a Osóssi sobre essa previsão,  ele disse que a desgraça era a fome,  a mulher sem leite e a criança sem carinho. 

E que desgraça maior era o medo do homem. 

Quando Kabila se aproximou de N'Dandalunda,  ela notou que ele trazia algo na capanga, sentiu medo e alegria. Havia caça na capanga do marido  e ela imaginou se seria um bicho de pelo ou de pena. 

Ansiosa, perguntou a ele, que respondeu: 

"Trago a carne que rasteja na terra e na água, na mata e no rio,  o bicho que se enrosca em si mesmo''. 

Falando isto retirou da capanga os pedaços de uma grande Edimi (cobra). 

O bicho revirava a cabeça e os olhos,  agitava a língua partida e cantava triste: "Não sou bicho de  pena para Osóssi matar". 

A grande Edimi pertencia a N'zazi e Kabila não poderia matá-la. 

N'dandalunda fugiu temendo a vingança de N'zazi, indo até Ifá que disse: 

"A justiça será feita, assim o corpo de Kabila irá desaparecer,  desaparecerá da memória de Hongolo e a quizila desaparecerá da vingança de N'Zazi".

Esses Nkisis se assemelham a Oxóssi (Odé) para os praticantes de candomblé Ketu.

Kabila – O caçador pastor. O que cuida dos rebanhos da floresta.

Mutalambô, Lambaranguange – Caçador, vive em florestas e montanhas, nkisi de comida abundante.

Mutakalambô – Tem o domínio das partes mais profundas e densas das florestas, onde o Sol não alcança o solo por não penetrar pela copa das árvores.

Mutalambô ou Lambaranguange é um Nkisi caçador, que vive em florestas e montanhas, é o Nkisi da fartura e comida abundante, assim como Kabila. Na Mitologia Bantu – Tat’etu Mutakalambô ou Mutakulamburungunzo (o mais velho) – O Caçador divino. Todos os povos antigos tinham o seu caçador e defensor divino que era responsável pela fartura e pela defesa da aldeia.  Cada povo lhe entendeu de um jeito e lhe representou na sua cultura e na sua língua, mas faz parte do inconsciente coletivo de tempos imemoráveis. Também andam neste caminho Nkongobila/Telekompenso. Estes caçadores bantu para se identificarem com qualquer outro caçador mitológico não foi difícil. Ai entra o Oxossi, os Ọdés dos Yorubá e até os caçadores ancestrais brasileiros, como caboclos.

Informações:

Dia: Quinta-Feira

Cor: Verde ou Azul turqueza

Simbolo: Ofá

Dominio: Fartura e Matas

Saudação: Pembelé Mutalambò

Tat'etu Kambaranguanje

Tat'etu Kambaranguanje aglutinação de Kamba ria nganga ajê - Um Santo amigo firme (como as pedreiras), “O Senhor da Justiça ...